terça-feira, 22 de junho de 2010

Elegância

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detecta-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detecta-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detecta-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber disso...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo.
É elegante a gentileza...
Atitudes gentis, falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém... é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante.
Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza pela observação,
Mas tentar imita-la é improdutiva.
A saída é desenvolver a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.
Educação enferruja por falta de uso.

E, detalhe: não é frescura.

Por Martha Medeiros

5 comentários:

Ju Santos - Fotógrafa disse...

Que beleza de texto. Adorei teu blog, estou te seguindo tb. Apareça sempre e seja muito bem vinda!

Paulo Dionísio disse...

Adorei o post. Se todos pensassem assim.

Camila Paier disse...

Olá flor! Tudo bem? Agradeço o comentário lá no blog, adorei. E vim conferir o teu. Primeiro: adooooro Moda. Vi que és formada, e tal. Foi um dos cursos que pensei em cursar - embora, tenha optado pelo Jornalismo. Vi o post das meias-calças e AMEI. Aqui em Porto Alegre, elas são alternativas mil, pra quem quer montar um look legal, sem cair na mesmice.
E quanto ao post, Martha, minha conterrânea, é divina! Adoro ela, tenho livros, acho uma diva Hahahaha
Um beijo!

Casa Cor de Laranja disse...

Amei e vivi de novo!!!!!!!!
Parabéns!
Beijos!

Isa disse...

Infelizmente nem todo mundo nasce culta, mas pode se aperfeicoar e acho que Elegância e etiquete pode e deve ser ensinado e apreendido ..
Bjokas.
www.garotaantenada.wordpress.com